Roma - O Papa Bento XVI encontra as Comunidades em ocasião do 40º Aniversário do início do Caminho Neocatecumenal na diocese de Roma


Por ocasião do 40° aniversário do início do Caminho Neocatecumenal na diocese de Roma, o Papa Bento XVI encontrou, na Basílica de S. Pedro, os iniciadores Kiko, Carmen e Padre Mário Pezzi, as comunidades neocatecumenais de Roma, os catequistas itinerantes do mundo inteiro e algumas comunidades de famílias em missão ad gentes. Durante o encontro, que se concluiu com o canto do Te Deum, o Papa enviou algumas comunidades de Roma que terminaram o itinerário do neocatecumenato em missão a algumas paróquias da diocese, e algumas famílias em missão a regiões descristianizadas e secularizadas do mundo inteiro.

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Durante o encontro, o Papa dirigiu aos presentes as seguintes palavras.

Queridos irmãos,

É com grande alegria que vos recebo hoje tão numerosos, na ocasião do 40° aniversário do início do Caminho Neocatecumenal na diocese de Roma, que conta com 500 comunidades. A todos vós minhas cordiais saudações. Saúdo em especial o Cardeal Vigário Agostino Vallini e o Cardeal Stanislaw Rylko, Presidente do Pontifício Conselho para os Leigos, que vos acompanhou com dedicação no iter de aprovação dos vossos Estatutos. Saúdo os responsáveis do Caminho Neocatecumenal: o senhor Kiko Argüello, que agradeço cordialmente pelas palavras entusiásticas e entusiasmantes com que interpretou os sentimentos de todos vós; a senhora Carmen Hernández e o Padre Mário Pezzi. Saúdo as comunidades que partem em missão rumo as periferias mais necessitadas de Roma, aquelas que vão em missio ad gentes nos cinco continentes, as 200 novas famílias itinerantes e os 700 catequistas itinerantes responsáveis pelo Caminho Neocatecumenal nas várias nações. Obrigado a todos vós. O Senhor vos acompanhe.

Não é por acaso que este nosso encontro ocorre na Basílica Vaticana erguida sobre o sepulcro do Apóstolo Pedro. Foi ele, o Príncipe dos Apóstolos, que, respondendo à pergunta com que Jesus questionava os Doze sobre sua própria identidade, confessou com ímpeto: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” (Mt 16,16). Vós hoje estais aqui reunidos para renovar essa mesma profissão de fé. A vossa presença, tão copiosa e animada, testemunha os prodígios operados por Deus nesses últimos quarenta anos e o empenho com que vós percorreis o caminho iniciado, a seqüela fiel de Cristo, o corajoso testemunho do seu Evangelho, não somente aqui em Roma, mas em todo lugar para onde a Providência vos conduz. Um caminho de adesão dócil às diretrizes dos Pastores e de comunhão com todos os demais membros do Povo de Deus. Isso vós fazeis com a certeza de que ajudar os homens deste nosso tempo a encontrar Jesus Cristo, Redentor do homem, constitui a missão da Igreja e de todo cristão batizado. O Caminho Neocatecumenal se insere nessa missão eclesial como um dos numerosos itinerários suscitados pelo Espírito Santo, no Concílio Vaticano II, para a nova evangelização.

Tudo começou aqui em Roma, há quarenta anos, quando na Paróquia dos Santos Mártires Canadenses, surgiram as primeiras comunidades do Caminho Neocatecumenal. Como não bendizer o Senhor pelos frutos espirituais que, por meio de seu método de evangelização, pudemos recolher ao longo de todos esses anos? Quantas vigorosas energias apostólicas foram suscitadas entre sacerdotes e leigos! Quantos homens e quantas mulheres, quantas famílias que se tinham afastado da comunidade eclesial ou haviam abandonado a prática da vida cristã, graças ao anúncio do kerygma e a um itinerário de iniciação batismal, foram ajudadas a reencontrar a alegria da fé e o entusiasmo do testemunho evangélico! A recente aprovação dos Estatutos do Caminho por parte do Pontifício Conselho para os Leigos veio selar a consideração e a benevolência com que a Santa Sé acompanha a obra que o Senhor suscitou por meio dos vossos iniciadores. O Papa, bispo de Roma, vos agradece pelo generoso serviço prestado à evangelização desta Cidade e pela dedicação com que vos consagrais para levar o anúncio cristão. Obrigado a todos vós.

Vossa honrosa ação apostólica será ainda mais eficaz à medida que vos esforçardes para cultivar constantemente a unidade que Jesus comunicou aos Doze durante a Última Ceia. Escutamos o canto: antes da Paixão, o nosso Redentor rezou intensamente para que seus discípulos fossem uma só coisa, a fim de que o mundo cresse nele (Jo 17,21), pois tal unidade só pode vir da força de Deus. Essa unidade, dom do Espírito Santo e busca incessante dos crentes, faz de toda a comunidade uma articulação viva e bem inserida no Corpo Místico de Cristo. A unidade entre os discípulos do Senhor pertence à essência da Igreja e é condição indispensável para que sua ação evangelizadora seja fecunda e digna de fé. Conheço o zelo com que conduzis as comunidades do Caminho Neocatecumenal nas 103 paróquias de Roma. Encorajo-vos a prosseguir nesse empenho e exorto-vos a intensificar vossa adesão a todas as diretrizes do Cardeal Vigário, meu direto colaborador no governo pastoral da Diocese. Obrigado pelo vosso “sim”, que obviamente vem do coração. A inserção orgânica do Caminho na pastoral diocesana e sua unidade com as outras realidades eclesiais beneficiarão todo o povo cristão e potencializarão o esforço da diocese para um renovado anúncio do Evangelho nesta nossa cidade. Com efeito, hoje se faz sempre mais necessária uma vasta ação missionária que integre as diferentes realidades eclesiais. Essas, preservando a originalidade de seu carisma, devem agir na concórdia de uma pastoral integrada que já nos proporcionou resultados significativos. E vós, colocando-vos com plena disponibilidade a serviço do Bispo, como lembram vossos Estatutos, podereis ser um exemplo para muitas igrejas locais, que olham justamente para a Igreja de Roma como a um modelo em que se inspirar.

Existe outro fruto espiritual nesses quarenta anos de história, pelo qual junto a vós gostaria de dar graças à Providência divina: é o grande número de sacerdotes e de consagrados que o Senhor suscitou nas comunidades. Alguns desses sacerdotes estão empenhados nas paróquias e em outros campos de apostolado diocesano, outros são missionários itinerantes em várias nações. Todos prestam um serviço generoso à Igreja de Roma, e a Igreja de Roma, por sua vez, oferece um serviço precioso à evangelização do mundo inteiro. Trata-se de uma verdadeira “primavera de esperança” para a comunidade diocesana de Roma e para a Igreja universal! Agradeço o Reitor e seus colaboradores do Seminário Redeptoris Mater de Roma pela obra educacional que desenvolvem. Sabemos que sua tarefa não é fácil, mas é muito importante para o futuro da Igreja. Encorajo-vos a prosseguir, portanto, nessa missão, adotando as diretrizes formativas propostas tanto pela Santa Sé quanto pela Diocese.

Queridos irmãos, a página evangélica que foi proclamada lembrou-nos das exigências e das condições da missão apostólica. As palavras de Jesus, relatadas pelo evangelista Mateus, ressoam como um convite a não desaminar perante as dificuldades, a não buscar o sucesso humano, a não temer incompreensões e até perseguições. Mateus nos encoraja a colocarmos nossa confiança exclusivamente no poder de Cristo, a tomarmos a nossa cruz e seguir as pegadas do nosso Redentor que, neste tempo de Natal, aparece-nos na humildade e na pobreza de Belém. A Santa Virgem, modelo de todo discípulo de Cristo e casa da bênção, como acabais de cantar, vos ajude a realizar com alegria e fidelidade o mandato que a Igreja vos confia. Ao agradecer-vos pelo serviço prestado à Igreja de Roma, asseguro-vos as minhas orações e bendigo de coração os que estão aqui presentes juntamente a todas as comunidades do Caminho Neocatecumenal dispersas pelo mundo inteiro.